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Venda da Embratel
Composição da Geodex não é explicitada ao Senado
terça-feira, 30 de Março de 2004 , 18h29 | POR REDAÇÃO

Os executivos das teles fixas que compareceram ao Senado nesta terça, 30, para tentar justificar porque sua proposta de compra da Embratel é melhor, ainda não conseguiram dar transparência ao controle da Geodex.
Brasil Telecom, Telefônica e Telemar voltaram a afirmar durante a audiência no Senado que o Calais tem 100% das ações preferencias nas mãos das três concessionárias locais e 100% de suas ações ordinárias controladas pela Gavle, que por sua vez é controlada 100% pela Geodex. Não souberam explicar a razão da existência da Gavle. Sobre a eodex, disseram que ela é controlada por Unibanco, Crédit Suisse, Goldman Sachs e outros (que eles não informaram quem são). Apesar das informações contraditórias e pouco precisas que podem ser apuradas na Anatel e na CVM, o mais provável é que o "outros", que tem nada menos do que 34% das ações com direito a voto da Geodex, sejam empresas e pessoas ligadas ao grupo GP, também acionista controlador da Telemar.
As teles ressaltaram ainda que esta composição acionária da Geodex foi aprovada pela Anatel em 12 de março de 2002, em razão da abertura de Pado para verificar se não havia cruzamento de propriedade com a Telemar por causa de uma participação da GP em seu controle (participação não citada durante a audiência). Como a Telemar ainda não tinha cumprido as metas previstas para 2003, não seria possível que a Geodex ganhasse autorização de serviço de comunicação multimídia, caso fosse comprovado que o GP fosse seu controlador também. A Anatel verificou que a participação da GP era de cerca de 15% e aprovou a composição acionária da Geodex.
No entanto, esta composição societária aprovada pela Anatel não é a mesma encontrada na CVM. Por exemplo, a Anatel ordenou, no PADO, que a Geodex deixasse de ter a ALL – América Latina Logística S/A como controladora, justamente por ser a ALL uma empresa ligada ao grupo GP. A ALL, entretanto, só se desfez de suas ações na Geodex, que representavam 100% do capital votante, em 1º de março desse ano, segundo fato relevante registrado na CVM.

Sem reserva de mercado

Sobre a proposta de fatiamento da Embratel, as teles garantiram ao Senado que querem ficar com a parte de dados da concessionária de longa distância, para que cada uma delas possa avançar no mercado da outra. Eles afirmaram categoricamente que a estrutura da Embratel será usada para que cada uma das empresas possa competir na área da concorrente, sem que se crie uma reserva de mercado.

Críticas aos executivos

O presidente do Conselho de Administração da Telemar, Otávio Marques de Azevedo, dirigiu críticas bastante duras ao comando da Embratel durante sua apresentação na audiência pública da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, realizada nesta terça, dia 30, referindo-se, inclusive, em alguns momentos a membros da diretoria da operadora como "neo-mexicanos" e "neo-cubanos", em clara referência à mexicana Purificación Carpinteyro (vice-presidente de assuntos externos) e ao cubano Jorge Rodriguez (presidente), respectivamente. "A Embratel é uma empresa importante para o Brasil e merece ser preservada. Se tivesse sido bem administrada não estaria à venda", disparou o executivo da Telemar.
Segundo o presidente do Conselho da Telemar, quando o consórcio Calais, composto pelas concessionárias locais e Geodex, apresentaram sua proposta à MCI, os executivos da Embratel criaram falsas denúncias que estão ocupando os órgãos de defesa da competição e a Anatel. ?Se eu fui convidado a fazer uma proposta (pela MCI), não poderia ter sido atacado por representantes da empresa que está à venda", completou Azevedo.
Um dos argumentos mais repetidos pelos representantes das concessionárias locais durante a audiência no Senado Federal foi de que em documento entregue à Corte de Falências dos Estados Unidos, a MCI afirma que optou pela proposta da Telmex, sem, contudo, que a Anatel tenha se manifestado contra a negociação envolvendo as teles locais.

Proposta variável

Os representantes das teles voltaram a repetir que o valor de sua proposta é R$ 190 milhões mais alto do que o da Telmex, além de oferecem garantia de emprego por dois anos, participação dos empregados no capital da empresa e golden share para o governo na operadora de satélites Star One.
Vale lembrar que a primeira proposta do consórcio Calais, segundo documento enviado à corte de falências dos Estados Unidos pela MCI, era variável, de US$ 350 milhões a US$ 550 milhões, de acordo com os resultados de uma due diligence que seria feita depois da aquisição, enquanto a da Telmex foi de US$ 360 milhões, sem impor qualquer condição.

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