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Compra da BellSouth redefine cenário latino-americano
quarta-feira, 10 de Março de 2004 , 20h22 | POR REDAÇÃO

Quais os sinais e as conseqüências para o mercado brasileiro da compra das operadoras de celulares da Bell South na América Latina? Com base em conversas com analistas e leitura de relatórios, TELETIME News colheu as seguintes observações:

A retirada dos americanos ? A venda indica que as companhias norte-americanas não vão querer tão cedo qualquer negócio com a telefonia latino-americana e, é claro, brasileira. A Bell South não é a primeira e nem será a última. A próxima é a MCI que está ansiosa para vender a Embratel. Em parte pela aversão ao risco latino, mas principalmente para fazer caixa para seus negócios nos Estados Unidos. A Bell South, por exemplo, vendeu suas operadoras para a Telefônica por US$ 5,8 bilhões para fazer caixa necessário para pagar a sua parte na compra da AT&T Wireless pela Cingular.

Telefônica Móviles vs. América Móvil ? O jogo da telefonia móvel ficará praticamente dividido na região entre a Telefónica Móviles (controladora da Vivo no Brasil, em parceria com a Portugal Telecom) e a América Móvil ( Claro). Elas vão disputar palmo a palmo o market share e, como conseqüência, vão lutar pelas últimas jóias do mercado, como é notório, o Estado de Minas Gerais. No caso da Claro, controlada indiretamente pela Telmex, passa a ganhar importância estratégica, uma aliança ou aquisição de operadoras de telefonia fixa e longa distância.

Vida difícil para Oi e TIM ? Com duas lideranças tão à frente, a vida tende a ficar mais difícil tanto para a TIM quanto para a Oi. Carlos Rodriguez, analista do Pyramid Research, que aponta as dificuldades da TIM, pondera que apesar de não terem manifestado qualquer interesse em deixar a região, os italianos também parecem não ter qualquer plano ambicioso de aquisição. A Oi ainda tem a seu favor as sinergias com a Telemar, mas depara igualmente com limites à sua expansão em grandes mercados de São Paulo e do Sul. Para competir, as duas tendem a gastar muito em subsídios. Atenção: daqui em diante, haverá aqui farta alimentação para boatos de venda, compra e associação entre as partes. Aliás, quem se lembra daqueles rumores sobre interesse da Telecom Américas na Telemar?

Operadoras valorizadas ? Qualquer que seja o movimento em favor de novas aquisições, o fato é que os preços das operadoras estão em alta. No primeiro negócio para se livrar de ativos no Continente, a Bell South cobrou da Telecom Américas, pela BCP, o equivalente a apenas US$ 350 por assinante. A Telefônica teve que pagar US$ 550. Quanto custará então a Telemig Celular? Isso pode tornar mais provável a compra de licença e montagem de rede própria em Minas Gerais ? o que pode aumentar também o valor das licenças no leilão das sobras da Banda E. Este parece ser o caso pelo menos da America Móvil que, como TELETIME News noticiou na semana passada, está preferindo, em lugar de aumento de caixa ? o que serviria para eventuais aquisições ? recomprar dívida de prazo mais curto mediante lançamento de títulos com vencimento em 2010 a juros de 4,2%.

Jogo da Telemig Celular ? Tudo indica, segundo entendem os analistas, que o Opportunity não tem intenção de vender suas operações de wireless (Telemig Celular e Tele Norte Celular). A lógica no caso seria uma futura ligação com a Brasil Telecom, do mesmo controlador. A escolha da tecnologia GSM fechou a porta para a Vivo e o preço, provavelmente, fecha as portas para a Claro. Os fundos de pensão, sócios do Opportunity na operação, brigam contra uma opção tecnológica imediata justamente para manter abertas as portas de venda, que parecem ser seu objetivo estratégico.

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