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Em meio a boatos de renúncia no BC, teles caem na Bolsa
quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2004 , 19h55 | POR SÉRGIO SISTER

Parte importante da desvalorização da Bolsa nesta quarta-feira, 4, com destaque negativo para o setor de telecomunicações, deve-se aos boatos originados em Nova York de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estaria demissionário. Esse boato só foi negado pela assessoria de imprensa do BC apenas às 18 horas, após o fechamento do pregão normal. Os papéis de empresas de telecomunicações caíram mais, em boa medida, devido à relativamente maior liquidez. Mas não foi só isso. Estão pipocando relatórios desfavoráveis a algumas vedetes do setor como Telesp Celular e Telemar, por exemplo.
No caso específico de Meirelles, os boatos vinham até acompanhados de explicação: o presidente do BC teria ficado desapontado com a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nesta terça-feira, 3, entrevista aliás muito bem recebida pelo mercado e em que ele reitera que a alta da inflação de janeiro devia-se apenas a fatores sazonais e não, como justificou o Copom, a um movimento forte de reposição de margem de lucro pelas empresas.
Na verdade, não há demissão. Mas o fato, segundo fonte bem situada no Planalto, é que o ambiente no Banco Central, depois da decisão do Copom de interromper a queda das taxas de juros, ficou muito tenso. ?Os diretores do BC estão se sentindo muito isolados não apenas em relação ao governo, que não defende a decisão da instituição, mas também em relação a uma parte significativa do mercado?, disse a fonte. Fora isso, sentiram-se desprestigiados pelo presidente quando este declarou que a autonomia do BC era uma questão acadêmica. A percepção de isolamento é confirmada pelo diretor de uma forte instituição financeira, que diz ter recebido um telefonema de um importante diretor do BC, com queixas sobre falta de apoio.
Palocci queria dar mais apoio, continua a fonte. Mas há vozes de peso dentro de sua equipe que se opõem, diz outra fonte do Planalto. E aí ele se conteve. Pelo menos dois assessores argumentam que o Banco Central foi que contradisse o discurso do governo ao sinalizar ao mercado que o País ainda não está preparado para crescer.

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