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Para analistas, América Móvil é a mais provável na BCP
quarta-feira, 27 de agosto de 2003 , 20h31 | POR SÉRGIO SISTER

Seguem forte as aopostas entre analistas do mercado de ações de que a América Móvil, controladora da Claro (Telecom Americas), continua sendo a mais provável compradora da BCP de São Paulo. O possível interesse da TIM e Telemar pela operadora, porém, deve tornar o negócio um pouco mais caro do que pretendia o empresário mexicano Carlos Slim, principal controlador da América Móvil. Mas não muito mais, uma vez que a empresa mexicana fez acordo com a própria Telemar garantindo-lhe participação acionária no capital social da BCP, caso adquira a operadora.
A BCP é boa para a expansão da Oi, da Telemar. Mas isso exigiria um aumento de seu endividamento. Fontes bem situadas asseguram que a companhia, sozinha, não pagaria mais de US$ 300 por assinante, ou um máximo de US$ 500 milhões pelo 1,7 milhão de clientes da operadora paulista. Para fechar negócio com a Telemar, os 34 bancos credores da BCP teriam que abrir mão de 70% de seus direitos.
Os mexicanos, segundo entendem os analistas, não apenas têm grande capacidade financeira no momento (um caixa superior a US$ 1 bilhão em 30 de junho), dispensando alavancagem, como são os que podem mais rápida e eficientemente obter sinergias para a sua operação brasileira. No momento, vale recordar, controlam a ATL, Tess, Americel, Telet e BSE, com um total de 6,7 milhões de assinantes, e dentro do mesmo quadro tecnológico que a BCP (TDMA em vias de migração para o GSM).
Os clientes e a rede da BCP, evidentemente, também interessam à TIM. O problema é que a BCP desapareceria, criando um problema muito sério do ponto de vista regulatório. Haveria certo risco de bloqueio do negócio pela Anatel e/ou pela Justiça, uma vez que parte substancial da competição ficaria comprometida.

O valor da BCP

Diretor de um dos bancos credores mais comprometidos no processo de reestruturação da dívida da BCP acredita que o valor da operadora pode passar de US$ 500 por assinante (valor total de US$ 850 milhões), ressalvando, porém, que ?vai sobrar dívida para o Verbier (Grupo Safra) e a Bell South pagarem?.
A América Móvil, porém, não costuma esbanjar dinheiro na compra de operadoras de celulares. Pela BCP Nordeste, por exemplo, com um milhão de assinantes, pagou US$ 180 milhões, não chegando, portanto, a US$ 200 por assinante. No seu negócio mais recente, a opção de compra da argentina CTI, com 1,2 milhão de clientes e dívida de US$ 1,1 bilhão, pagou cerca de US$ 250 o assinante. Neste caso, com a reestruturação da dívida, o write off (cancelamento de débito) foi de algo em torno de 75%. Se um desconto como esse fosse feito na BCP, seu valor seria de US$ 425 milhões ou iguais US$ 250 por assinante.

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