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Inclusão digital
Conta da universalização digital não fecha, diz consultor da Telemar
quarta-feira, 20 de agosto de 2003 , 18h03 | POR REDAÇÃO

Para o consultor da superintendência de estratégia corporativa e regulamentação da Telemar, Mário Ripper, a universalização da Internet dificilmente será viável no Brasil e a criação de um novo serviço em regime público para as redes digitais não deve garantir a democratização dos meios de acesso à rede. Em apresentação realizada no seminário Cenários de Competitividade nos Negócios de Internet, promovido em São Paulo, nesta quarta, 20, o executivo observou que nenhum país colocou o acesso digital como obrigação universal, priorizando, em vez disso, a democratização dos serviços de voz.
Como serviço em regime público, a prestação de acesso a redes digitais terá de ser vinculada a metas de universalização e continuidade de atendimento, da mesma forma que se verifica atualmente nas concessões de telefionia fixa. Desta forma, Ripper questiona se os acessos serão viáveis economicamente em um ambiente de alta concentração de renda como o brasileiro, onde nem mesmo os acessos de voz puderam ser estendidos à maioria da população.
Para ilustrar sua exposição, Ripper citou o caso da Telemar, que só para atender às regras previstas na nova regulamentação de Internet em sua área, para o acesso 0i00 (código não geográfico de acesso à rede), terá de investir cerca de R$ 1 bilhão, somando aproximadamente 300 mil novos internautas em potencial, que hoje só podem chegar à Internet via ligações de longa distância, a um total de 1 milhão atendidos via redes locais. Para compensar o investimento, teria de aplicar um aumento de 15% às tarifas, afastando da base de 500 mil a 800 mil assinantes do serviço de voz das classes C e D, que estão no limite da capacidade de arcar com suas contas telefônicas. Para Ripper, portanto, a busca pela universalização digital pode prejudicar a universalização dos serviços básicos.

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