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Aquisições
iBest foi avaliado por ativos conseguidos com ajuda da BrT
quinta-feira, 03 de julho de 2003 , 18h48 | POR SAMUEL POSSEBON

O fato de a Brasil Telecom (BrT) estar adquirindo a totalidade das ações do provedor iBest por US$ 36 milhões tem pelo menos um elemento que chama a atenção: a concessionária de telefonia, por meio de sua subsidiária BRTSI (BrT Serviços de Internet), está pagando esta quantia, na prática, por uma marca e pelo "Prêmio iBest", já que a atividade de provedor de acesso só começou a acontecer depois que a BrT entrou de sócia no portal, em dezembro de 2001, e mesmo assim graças à estrutura da própria tele.
É isso que pode ser observado pelo relatório da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) do Ministério da Fazenda, divulgado desde o começo do ano e que trata da possibilidade de fusão. O relatório servirá de subsídio para que o Cade aprove ou não a operação, que foi pleiteada no final de 2001.
A BrT, procurada pela reportagem de TELETIME News, via assessoria de imprensa, não comentou o parecer nem os critérios de avaliação do iBest.
Fato é que a empresa, em fato relevante publicado esta semana para a aquisição da totalidade do portal, justifica o valor pago pelo iBest inclusive com os números do provedor de acesso: "A empresa (iBest) possui mais de 4,0 milhões de usuários cadastrados, sendo 1,3 milhão de usuários ativos, gerando aproximadamente 1,2 bilhão de minutos de conexão por mês, sendo o maior provedor de acesso da Região II do Plano Geral de Outorgas". Estes números, como mostra o parecer da SEAE, só foram atingidos graças à própria BrT.
Especialistas em direito econômico que conhecem e analisaram cuidadosamente o parecer da SEAE chamam a atenção para o fato de o iBest, na prática, só ter agregado à Brasil Telecom uma marca desde que a operação foi pleiteada inicialmente. Toda a parte de acesso à Internet, provimento de infra-estrutura, tudo, enfim, que fez com que o iBest se tornasse um provedor de acesso a partir da entrada da BrT foi oferecido pela tele. Diz o relatório da SEAE: "Com efeito, o portal iBest (…) só pode ser viabilizado pelos serviços (…) que, por sua vez, são ofertados pela BrT. Depreende-se (…) que todos os recursos de infra-estrutura para o acesso e conectividade do portal são de propriedade da BrT, sendo por ela disponibilizados e administrados (cláusula 4.1.4 do Acordo). Ao iBest, como se denota, cabe o papel de administrar seu portal, divulgando e promovendo o acesso gratuito à internet e à própria BrT, assim como distribuindo gratuitamente o Programa Discador BRT via transferência de arquivo eletrônico (download) e realizando o cadastro de usuários que é compartilhado com a BrT. A iBest divulga números telefônicos locais em seu portal, fornecidos pela BrT, para o acesso gratuito à Internet prestado pela BrT em cerca de 230 cidades, distribuídas por todos os Estados brasileiros e pelo Distrito Federal. Além disso, a empresa comercializa espaço para publicidade virtual em suas páginas". O parecer da SEAE, que instrui o CADE para aprovar a fusão, está disponível em http://www.fazenda.gov.br/seae/documentos/pareceres/Serviços/pcrACBrTiBestluishen_pub.PDF

Valor

Em relação à valoração feita pela BrT para pagar aos demais acionistas do iBest (são empresas cujas composições acionárias não são descritas no parecer da SEAE, sendo que algumas delas são empresas off-shore sediadas em Cayman), cabe fazer uma comparação com a operação mais recente. No início deste ano a Globo comprou de volta a participação que a Telecom Italia detinha no portal Globo.com (30%). Pagou por isso 34,5 milhões de Euros (R$ 124 milhões), só que em permuta publicitária a ser utilizada até 2005 e com o compromisso de que isso não afetaria o plano de mídia da TIM nos veículos do grupo Globo (TV, jornais e revistas). A Telecom Italia pagou, em 2000, US$ 810 milhões para a Globo pelo pedaço do Globo.com agora adquirido de volta pela família Marinho.

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