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Com reestruturação, Oi prevê queda na receita em 2016, mas avanço operacional até 2018
sexta-feira, 17 de junho de 2016 , 18h48

Em sua proposta de revisão de estratégia para os próximos anos, a Oi enfatiza mudanças internas, como a otimização em processos operacionais, focando sempre na convergência de serviços (e ofertas) em direção ao mundo de dados. Assim, projeta uma queda na receita neste ano, avançando nos dois anos seguintes para uma recuperação acima de 4% ao ano.

Na projeção colocada aos credores, a companhia estima que a receitas líquida no acumulado do ano fiquem em R$ 26,377 bilhões, o que representa uma queda de 0,24% em relação a 2015. Para o ano fiscal de 2017, a expectativa de receita líquida é de R$ 27,491 bilhões, voltando assim a ter aumento (de 4,22%), enquanto para 2018 é de R$ 28,599 bilhões, aumento de 4,03%. O EBITDA de rotina para 2016 ficaria em R$ 7,004 bilhões (queda de 3,03% em comparação com o ano anterior), subindo 10,91% e chegando a R$ 7,768 bilhões em 2017, e R$ 8,580 bilhões em 2018 (avanço de 10,48%).

O Capex, que neste ano no total seria de R$ 5,258 bilhões, reduzindo para R$ 5,178 bilhões em 2017 e R$ 5,100 bilhões em 2018. O fluxo de caixa operacional, após dois trimestres iniciais negativos, recuperar-se-ia nos dois trimestres seguintes, mas encerraria negativo em 2016 com R$ 398 milhões. Nos dois anos seguintes seria recuperado, ficando com fluxo positivo de R$ 1,552 bilhão e R$ 2,618 bilhões em 2017 e 2018, respectivamente.

Em geral, a Oi acredita que terá fluxo de caixa negativo de R$ 485,9 milhões no segundo trimestre, seguido de um fluxo positivo de R$ 33,1 milhões no período seguinte e encerrando o ano com fluxo negativo de R$ 106,3 milhões. Para 2017, espera fluxo negativo de R$ 173,5 milhões; e novamente negativo em 2018 (R$ 11,3 milhões). Somente em 2019 a companhia voltaria a fechar um ano com fluxo de caixa operacional positivo: R$ 1,020 bilhão. Em 2020, o fluxo ficaria em R$ 74 milhões.

Para efeito de comparação, a Oi projeta uma queda do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que indica a inflação no País, de 9,7% no ano passado para 6,5% neste ano, estabilizando nos dois anos seguintes em 4,8%. Projeta ainda um aumento na taxa de câmbio para o dólar, subindo para R$ 4,13 ao final deste ano, estabilizando depois em R$ 4,04 em 2017 e R$ 4,07 em 2018.

Dados operacionais

No planejamento estratégico de 2016 a 2020, a companhia projeta um crescimento na receita média por usuário (ARPU) residencial de 23% entre 2015 e 2018, com o churn fixo mensal reduzindo em 0,2 ponto percentual (p.p.), enquanto na banda larga fixa o churn cairia 0,3 p.p.. Na TV, a redução seria de 0,9 p.p.. Para chegar a isso, sugere aumentar a agressividade comercial ao acelerar o foco em combos enquanto retém a base. Outro ponto é promover a migração de voz para dados e TV "sem detrimento da base de receita", garantindo o máximo de penetração de serviços por domicílio. Também planeja otimizar o Capex para endereçar o gargalo de velocidade e competição, segmentando as residências de acordo com o potencial de receita e promovendo a expansão seletiva da fibra ao priorizar áreas de alta lucratividade. Para TV especificamente, a proposta é de reforçar o serviço ao oferecer TV Everywhere e conteúdos não lineares.

No negócio móvel, espera um avanço de marketshare pós-pago de 1,3 p.p., além de um crescimento no ARPU de 15% no pré-pago e de 32% no pós-pago – nesses dois casos, desconsiderando receitas de interconexão e longa distância. As iniciativas propostas incluem a recaptura de mercado com a evolução do portfólio, reforçando ofertas de dado, protegendo a receita de voz ao oferecer os bundles e reposicionando a marca com uma política orientada ao consumidor. Já para aumentar o ARPU, sugere usar práticas de "microprecificação" baseada em big data para aumentar a lucratividade, reduzir churn e crescer a penetração em serviço de dados. Isso seria conseguido com o refinamento de modelos de estatística, entregando campanhas em tempo real, e também explorando novos canais de contato por meio de celular. Por fim, projeta aumentar a receita de serviço de valor adicionado (SVA) ao alavancar a demanda por aplicações (embora não detalhe como).

O mercado corporativo também foi projetado nas definições de prioridades, com foco em venda de dados (conectividade, SVA, segurança e gerenciamento) e soluções de TI, reduzindo a dependência em voz. Também pretende capturar oportunidades ao ampliar o portfólio e reforçar a cobertura de vendas, o que inclui bundles, aumento de produtos e serviços convergentes entre TI e telecom com soluções de Internet das Coisas (IoT) e mantendo os níveis mínimos de capacidade em data centers. Também pretende simplificar e automatizar a cadeia de entrega ao cliente com novas tecnologias, como GPON, IP e Single Edge. No atacado, pretende promover a desclassificação do status de poder de mercado significativo (PMS) na EILD, além de migrar para dados de alta velocidade. A projeção de três anos é de crescimento em receita de dados (18%), receita de TI (64%) e de quantidade de clientes (80%).

Na eficiência operacional, pretende diminuir a degradação da rede por meio de reparos e foco maior em prevenção, além de desenvolver um modelo robusto e estável para provedores de serviços de rede. A ideia é estabelecer um modelo sustentável para gerenciar os serviços de campo focando em planejamento, controle e produtividade. Na qualidade, sugere reduzir backlog, contar com agendamento de maior aderência e melhorar a taxa de sucesso nas visitas aos consumidores. Nos indicadores: aumento de efetividade de 66% para 80%, crescimento da produtividade em 22%, redução na repetição de visitas em 5 p.p. e melhoria de 20 p.p. para reparos agendados.

A companhia ressalta ainda ganhos recentes com renegociações de contratos, com redução de 40% nos acordos de backbones nacionais, 25% em rede IP, 83% nos gastos com fibra por meio de swap. Além disso, prevê redução de 45% nos custos de operação 4G ao compartilhar espectro (RAN Sharing) com a TIM no período de 2014 a 2017.

Avanço na cobertura

As aspirações da operação para 2018 incluem a atualização da rede móvel, expandindo a cobertura 3G em 192%, totalizando 2.957 cidades, e de 4G em oito vezes, chegando a 808 municípios. A expansão do core de rede em cinco vezes e a aposta nas sinergias com o compartilhamento dessa infraestrutura resultaria em um avanço na capacidade de backbone, subindo de 3,3 Tbps para 8,8 Tbps. A ideia é ter fibra em todas as capitais, enquanto aumenta a capacidade de transmissão no interior e substitui as rotas de rádios IP saturadas.

A expansão também aposta em tecnologias mais modernas, com o vectoring no cobre (VDSL), aumentando para 1,160 milhão de unidades geradoras de receita (UGR). Na fibra até a residência (FTTH), focará em condomínios, aumentando o número de houses-passed de 120 mil para 1,020 milhão.

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