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Infraestrutura
Huawei quer massificar fibra no Brasil em cinco anos
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 , 22h44

O presidente da Huawei para a América Latina, Zou Zhilei, entende que é preciso avançar com a fibra no Brasil nos próximos cinco anos. Segundo a estimativa da companhia, a situação atual do mercado de banda larga fixa brasileiro se assemelha ao da China em 2012, mas há um ponto de partida diferente, como a base mais jovem de brasileiros, com maior disposição para uso da Internet. "O que fizemos na China, acreditamos que podemos fazer no Brasil nos próximos cinco anos", declarou ele durante o F4 Summit nesta sexta-feira, 14.

Na China, no mesmo intervalo, a penetração do FTTH cresceu de 5% para 86%, o que levou também o IPTV a crescer de 7% para 47%. E nesse universo, 74% já visualizam o conteúdo em televisores 4K. "Isso pode acontecer no Brasil. O PIB per capita é de US$ 8.800 na China, e no Brasil é de US$ 9.800. Brasil tem base melhor que a chinesa, e isso é uma realidade", diz Zhilei. "Conhecemos e entendemos muito o consumidor brasileiro, ele é um grande entusiasta de tecnologia. Muitos se comunicam com a Internet. Por isso, acreditamos que o Brasil vai liderar 4K na América Latina."

Para isso, ele entende que é necessário que governo, operadoras e fornecedores entrem em um acordo para promover a aceleração da fibra no Brasil, além do incentivo à produção de conteúdo em ultra resolução. "Os setores governamental e de produção precisam oferecer a infraestrutura básica e a nível municipal, ao mesmo tempo em que precisamos de fornecedores de TV 4K e de smartphones 4K. Caso o custo não abaixe, a rede não alcança os usuários e nosso trabalho não será realizado", justifica. "Por isso precisamos de reforma política e de leis".

O presidente global de relações governamentais da Huawei, Zhang Jiangang, ressalta que o acesso à Internet é "considerado direito básico", e que melhorar os serviços de TIC entre 16% e 20% resulta em um aumento de 1% no PIB. Para isso acontecer, sugere parcerias público-privadas para "melhor alocar investimentos", bem como "alívios tributários" e subsídios. "O governo age como um catalisador para criar um ambiente regulatório favorável", diz.

Caso chinês

A base para a expectativa de crescimento da banda larga do Brasil é o que promoveu a China Telecom na província de Sichuan, no sudeste da China. Zhao Maiqing foi fundador e CEO da operadora por 37 anos, e explica como avançou na implantação da infraestrutura ótica. "A fibra é uma estratégia nacional. É um investimento grande. Por isso, uma operação saudável também é muito importante, operar com prejuízo não é permitido aqui", declara.

Ele conta que Sichuan tem uma população de cerca de 100 milhões de pessoas, mas a penetração da banda larga residencial é de 74%, contra 44,6% no Brasil. E desses acessos chineses, 92% é com fibra ótica, enquanto no mercado brasileiro o FTTH corresponde a 17,3%. A província chinesa também tem alta penetração de terminais de fibra, chegando a 117,6% por residência, contra 13,5% no Brasil. Maiqing reconhece o crescimento da fibra no mercado brasileiro no último ano (de 11% de penetração para 18%), mas afirma que poderia ser mais. "Ainda vai demorar 16 anos para chegar ao nível de Sichuan nesse ritmo. Houve avanço no Brasil, mas precisa acelerar, pelo menos três vezes mais rápido do que a taxa atual de crescimento", compara. "Vamos pensar em um prazo de três anos para conversão em fibra. Se necessário, serei seu consultor grátis."

O entendimento do ex-CEO da China Telecom é que é preciso garantir que o equipamento de ponta não seja tão distante da rede na rua, e que é necessário simplificar a implantação da fibra para permitir instalação mais rápida e eficiente. Em relação ao retorno de investimento, Maiqing menciona que é necessário proporcionar massificação para permitir otimizar a infraestrutura com os ganhos de escala. "Nossa orientação é baixar mais o preço, e aí todo mundo consome. No Brasil, se não baixar, terá dificuldade de consumir". E argumenta que é importante deixar a rede ótica como a única infraestrutura. "Assim que colocar a fibra, tem que tirar a rede de cobre: a minha regra era fazer isso dentro de um ano, migrando todos", diz. O executivo alega que no Brasil há muita demora para retirar o ativo legado. "Tendo as duas redes, você tem duas vezes o custo", justifica.

COMENTÁRIOS

1 Comentário

  1. Krosli Ferreira de Andrade disse:

    Ótimo texto Bruno. Das notícias que recebemos com as restrições no uso da internet na china, a maioria da população não sabe nem sequer o que é Whatsapp, fico imaginando se não houvesse este tipo de limitação e o consumo fosse liberado, para onde iria o crescimento de dados?

    Sds

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