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Com aquisição de parte da 21st Century Fox, Disney amplia presença no mercado global
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 , 23h06

A aquisição de parte da 21st Century Fox por US$ 52,4 bilhões terá um significado especial nas operações internacionais da Walt Disney Company. Pelos termos divulgados, a Disney passa contar com toda a operação internacional da 21st Century Fox, além dos estúdios de produção de cinema e TV. Ficaram fora do negócio as redes de TV aberta e de conteúdo ao vivo nos Estados Unidos, além de uma fatia na fabricante de dispositivos over-the-top Roku.

Mas os ativos internacionais de esportes e os canais pagos, incluindo a Fox Sports Regional Networks e a Fox Networks Group International, estão no bolo. Isso pode significar, no caso brasileiro, um novo arranjo entre ESPN (controlada pela Disney) e Fox Sports, já que esse é o único ponto de sobreposição de conteúdo entre as duas empresas que poderia gerar questionamentos por parte das autoridades concorrenciais brasileiras. Há ainda uma pequena sobreposição entre o Disney Channel e NatGeo Kids, ambos dedicados ao segmento infantil, mas com pequena participação no mercad0 e voltado a faixas etárias distintas.

As propriedades internacionais da 21st Century Fox adquiridas pela Disney incluem infraestrutura de produção e direitos em diversas regiões. Em nota, a Disney já cogita trazer alguns desses direitos para a sua marca de esportes, a ESPN. Pode-se esperar com a concentração, portanto, que a força da Disney na disputa por direitos esportivos na América Latina e no Brasil cresça substancialmente.

O alcance internacional da programação da Disney passará por uma expansão significativa, uma vez que a Fox Networks International conta com mais de 350 canais em 170 países. Além disso, está no pacote adquirido a Star India, que opera 69 canais, com alcance de mais de 720 milhões de espectadores por mês na Índia em mais de 100 países.

Plataformas de distribuição

A Disney ganha ainda uma presença marcante na operação de TV internacional, com o controle da operadora europeia Sky, que conta com 23 milhões de lares assinantes no Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália. A 21st Century Fox anunciou que concretizará um plano de aquisição de 61% da operadora, tornando-se única acionista, e pretende concluir esta transação antes de concluir a transferência dos ativos para a Disney.

Com a aquisição, a Disney se torna também controladora do Hulu, serviço over-the-top que tem ainda entre os acionistas a Turner e a NBC Universal. É um movimento estratégico para o grupo de mídia que já anunciou que não renovará o licenciamento de suas propriedades para o Netflix, mirando um serviço próprio de vídeo sob demanda.

Conteúdo

Entre as marcas que passam a fazer parte da Disney estão os estúdios de cinema Twentieth Century Fox, Fox Searchlight Pictures e Fox 2000; bem como as unidades de criação de televisão Twentieth Century Fox Television, FX Productions, Fox21 e Endemol Shine Group.

Entre os conteúdos que passam a ser do acervo da Disney estão filmes como "Avatar", "X-Men", "Quarteto Fantástico" e "Deadpool" (reunindo, portanto, quase todo o universo Marvel) e séries de TV como "The Americans", "Modern Family" e "The Simpsons".

Aquisição

A expectativa é que a aquisição leve a uma economia de operação US$ 2 bilhões ao ano, após o impacto da operação nos dois primeiros anos.

Os atuais acionistas da 21st Century Fox terão, somados, aproximadamente 25% da Disney com a troca de ações. Além disso, manterão o controle da nova Fox, que conserva entre seus ativos a Fox News Channel, a Fox Broadcasting Company, a Fox Business Network, o FOX Television Stations Group, os canais de esportes FS1 and FS2 (todos com distribuição nos Estados Unidos) e a Big Ten Network, esta última com distribuição nos EUA e no Canadá, com receita estimada de US$ 10 bilhões. O atual chairman e CEO da Walt Disney Company, Robert A. Iger, que já havia anunciado sua aposentadoria, seguirá no comando da empresa até o final de 2021.

A operação deve ajudar indiretamente a aprovação do acordo entre Time Warner e AT&T nos EUA, onde o Departamento de Justiça recorreu à Justiça contra a ação. O argumento da AT&T é que a fusão com a Time Warner é uma integração vertical, nunca antes barrada nos EUA. A concentração entre Disney e Fox, mesmo que os ativos de TV aberta tenham ficado de fora, é uma integração horizontal, muito mais problemática do ponto de vista concorrencial, de modo que as autoridades terão que rever critérios e ponderá-los ao mesmo tempo. (Colaborou Samuel Possebon)

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