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Rússia planeja testar fechamento provisório da Internet local
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019 , 15h36

A Rússia estaria planejando o isolamento total temporário da Internet no país para realizar testes de cibersegurança. A ideia seria experimentar e analisar a infraestrutura russa para adequação a um projeto de lei que prevê uma Internet "soberana" por meio de redes próprias internas – todo o tráfego que deixa o país deveria passar por pontos de troca de tráfego (PTT) sujeitos à regulação da agência russa de comunicações, a Roskomnadzor.

De acordo com o site russo RBC, replicado por noticiários como CNN e The Guardian, o projeto de lei pretende "proteger" a Internet na Rússia dos Estados Unidos, incluindo na estratégia de cibersegurança. Com o teste do fechamento da rede no país, as operadoras de telecomunicações poderiam indicar as mudanças na proposta legislativa para permitir a implantação. A recomendação para os exercícios foram feitos pelo grupo de trabalho de Segurança da Informação do Programa Nacional de Economia, um projeto federal russo que inclui operadoras como MegaFon, VimpelCom, MTS e Rostelecom, e liderado pela empresa de segurança InfoWatch. A reunião aconteceu dia 24 de janeiro, e as propostas deverão ser enviadas até o dia 1º de abril.

Em entrevista à RBC, a presidente da InfoWatch, Natalya Kasperskaya, afirmou que a proposta de fechamento temporário da Internet na Rússia tem "bons objetivos, mas os mecanismos para sua implementação levantam muitas questões e disputas". Disse ainda que os métodos para implantação "ainda não foram definidos com precisão", e, por isso, sugere a realização dos testes para entender como isso poderia ser realizado na prática.

O projeto de lei foi desenvolvido pelos senadores Andrei Klishas e Lyudmila Bokova em dezembro passado levando em conta a estratégia nacional russa de segurança cibernética adotada em 2018, que declara o princípio de "manter a paz pela força". Os fundos para o financiamento para a manobra de isolamento da Internet não foram explicitados no documento, mas previa que o estado teria que compensar as operadoras com um valor de 134 bilhões de rublos (aproximadamente US$ 2,03 bilhões) por ano, além de um valor total de 27,9 bilhões de rublos (US$ 420 milhões) para o orçamento do projeto de Segurança da Informação. A proposta prevê a possibilidade de o regulador intervir na gestão da rede, bloqueando recursos proibidos na Rússia (hoje isso é feito por meio das teles).

Questão é que isso poderia também servir para criar na Rússia uma versão do Grande Firewall da China, restringindo o acesso à Internet aberta e livre. Importante lembrar que, segundo o levantamento do observatório Freedom House, a Internet russa atualmente já é considerada "sem liberdade", com nota 67 em um placar que vai até 100 (quanto maior a nota, pior) – especialmente devido a obstáculos ao acesso, limites de conteúdo e violação dos direitos dos usuários. Desde 2016, o Brasil é considerado "parcialmente sem liberdade" de Internet, sobretudo com relação a ataques aos direitos dos usuários com a legislação eleitoral e proliferação de fake news. Atualmente, a Internet brasileira está com nota 31.

Em abril do ano passado, a Roskomnadzor bloqueou o aplicativo Telegram após a empresa responsável se recusar a fornecer a chave para quebrar a criptografia do serviço em uma investigação do serviço de segurança federal. Caso foi semelhante ao que aconteceu no Brasil com o bloqueio do WhatsApp em 2015.

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