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Controle da Brasil Telecom
Citibank usou CSH para negócios em telecom nos EUA
quinta-feira, 11 de Março de 2004 , 18h52 | POR SAMUEL POSSEBON

A presença disfarçada do Citibank como investidor da Brasil Telecom por meio da empresa CSH LLC não é um fato isolado. Levantamento feito por TELETIME News revela que o Citi usou exatamente a mesma empresa CSH LLC, que participa da BrT por meio da Timepart Participações, em uma série de outros negócios nos EUA. Como característica comum ao que acontece no Brasil está o fato de o banco ficar sempre discretamente posicionado, colocando um executivo ou um acionista minoritário para ser a "cara" da empresa. Os negócios que envolveram a CSH LLC nos EUA são, a exemplo do que acontece no Brasil, cercados de fatos pouco explicados, conflitos com outros acionistas, informações imprecisas às autoridades locais etc.
No final de 1997 o Citicorp Venture Capital (CVC) adquiriu a maioria das ações na CSH LLC, uma empresa de Phoenix, Arizona, que tinha como acionista Peter A. Woog entre outros. Após a compra, Richard M. Cashin, que foi presidente do CVC até abril de 2000, tornou-se também diretor da empresa. A CSH LLC, além da participação na Brasil Telecom (adquirida na privatização, em julho de 1998), era acionista de uma série de outras companhias. Entre elas, duas empresas dedicadas à prestação de serviços de transmissão de dados corporativos, a IPC e a IXNet, sendo a primeira controladora direta da segunda. Mais uma vez, Woog e Cashin, entre outros nomes vindos da CSH e do Citi, apareciam como diretores das empresas. Em 1999, a IXNet foi lançada em bolsa pelo Salomon Smith Barney (pertencente ao Citigroup).
A IPC e a IXNet foram vendidas, em 2000, para a Global Crossing (GC), a gigante do mercado de cabos submarinos que no final da década de 90 era um dos maiores sucessos nas bolsas e promessas no setor de telecomunicações. O preço era típico da época da bolha de internet: US$ 3,8 bilhões. A operação com a IXNet e IPC envolveu principalmente troca de ações. Foi, na verdade, uma fusão, em que Global Crossing incorporou as duas empresas e os acionistas da IPC e IXNet tornaram-se sócios minoritários da GC.

Minoritários

Essa operação foi extremamente contestada na Justiça norte-americana, especificamente na Court of Chancery de New Castle, Delaware, por pelo menos duas ações coletivas movidas pelos acionistas minoritários das duas empresas. Queixavam-se que o prêmio pago aos controladores e aos executivos da empresa era substancialmente maior do que o pago aos minoritários e que os acionistas minoritários não haviam sido devidamente representados na venda. Detalhe: mais uma vez o Salomon Smith Barney foi o avalista dos termos da negociação. Esta ação ainda corre na Justiça dos EUA.
No momento em que a IXNet e a IPC foram fundidas com a Global Crossing, começou um relacionamento intenso entre o Citi, seus "sócios" na CSH e a empresa. Por exemplo, o Citi tornou-se acionista e David Walsh, então presidente da IXNet, tornou-se vice-presidente da Global Crossing. Estas relações tiveram novos desdobramentos alguns meses adiante, em janeiro de 2002, quando explodiu o escândalo fiscal da Global Crossing e a empresa entrou em concordata (Chapter 11).
Até lá, entretanto, Citibank e seus ex-executivos trabalharam duro dentro da GC. Algumas unidades lucrativas da IPC e da IXNet foram vendidas na Ásia para a Goldman Sachs, com o aval do Citi.
A Asia Global Crossing foi aberta em bolsa no final de 2000, tendo o Salomon Smith Barney como um dos braços financeiros responsáveis por essa operação. Em 2001, ativos lucrativos da IPC foram transferidos para a Asia Global Crossing, que logo em seguida foi vendida para a Goldman. Mais uma vez, o Citi foi o advisor.

Denúncias

Quando a crise da Global Crossing explodiu, no início de 2002, surgiu a polêmica da venda da empresa para os asiáticos da Hutchison Whampoa e Singapore Technologies. Além do fato de se suspeitar que a transferência traria riscos à soberania dos EUA, pelos laços entre as duas empresas e o governo Chinês, havia ainda a suspeita de que a operação se destinasse a impedir a investigação de fraudes fiscais e contábeis e uso de informações privilegiadas. Principalmente no que se refere à venda de ativos antes do Chapter 11. Todos os passos dessa novela estão disponíveis nos inúmeros documentos registrados na FCC e são acessíveis pelo endereço www.fcc.gov/transaction/globalcrossing-gx.html.
Uma empresa chamada Commaxxess, que tinha uma proposta alternativa de compra dos ativos da Global Crossing, fez reiteradas denúncias à FCC sobre os laços entre o Citigroup, os acionistas da IPC e da IXNet e as transferências irregulares de ativos. A proposta da Commaxxess foi vetada pelo comitê de credores da Global Crossing, onde estava o Citibank e o Salomon Smith Barney. Durante o processo de reestruturação da empresa pelo Chapter 11, contudo, outros ativos da Global Crossing foram vendidos. Por exemplo, a Pacific Crossing, uma importante unidade da Global Crossing, foi negociada em abril para a Pivotal Private Equity, empresa ligada ao Pivotal Group e tocada justamente por Peter Woog, o mesmo que a Brasil Telecom diz ser o controlador da CSH. As suspeitas eram de que o Citibank estivesse por traz da oferta da Pivotal, de US$ 63 milhões. O fato é que, em função de uma série de complicações (não se sabe se em função também das denúncias de fraude no processo de Chapter 11 da Global Crossing), a Pivotal não pagou o que devia e o negócio foi desfeito. Em janeiro deste ano a Pacific Crossing decidiu processar a Pivotal Private Equity, de Peter Woog.

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