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SATÉLITE
Viasat quer ir além do SGDC no Brasil
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019 , 17h35

A vice-presidente de Internet na América Latina e Gerente Executiva do Brasil na Viasat, Lisa Scalpone, espera que, resolvida a renegociação com a Telebras, a implantação da oferta comercial da operadora utilizando a capacidade do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) seja rápida. Contudo, os planos da empresa vão além desse artefato. "O SGDC não está nem perto de ser suficiente para atender a demanda", afirmou a executiva em entrevista a este noticiário.

O SGDC tem 58 Gbps de capacidade em banda Ka, e ela ressalta que é um satélite "diferente" por cobrir o Brasil inteiro. O equipamento será interessante não apenas para os planos de atendimento no contrato do Gesac, mas também com a banda larga para o consumidor final e mesmo conectividade em voos (in-flight communications, ou IFC). Mas a ideia é poder contar com um futuro satélite próprio cobrindo a América do Sul e que teria capacidade de 1 Tbps, embora também flexível – a classe ViaSat-3 está sendo construída em conjunto com a Boeing e deverá ser lançada em 2020.

Há ainda a possibilidade de futuras parcerias – sem excluir a estatal brasileira. "Esperamos ter uma parceria muito longa com a Telebras", declara Scalpone. Mas mesmo em eventual caso de estender o acordo para o SGDC-2, que já está sendo desenvolvido pelo governo brasileiro, ela estima que ainda seria necessário ao menos três anos para que o satélite estivesse em operação. Até lá, a empresa já contaria com o ViaSat-3 para cobrir o País.

Passada a etapa de renegociação com a Telebras para atender aos requerimentos do TCU, a executiva espera poder iniciar a oferta comercial no Brasil com o serviço de universalização com banda Ka, o Community WiFi, e depois, com serviços corporativos. Scalpone diz que o Wi-Fi comunitário deverá seguir o modelo implantado no México, mas com ajustes regionalizados. "Teremos de achar parceiros locais, treinar e encontrar os lugares apropriados", declara. "Planejamos um pequeno lançamento inicial; a Telebras quer o Gesac e estamos trabalhando nisso. Não podemos adiantar porque [o processo de instalação] é caro, e precisamos da aprovação do TCU".

Vale ressaltar que na implantação mexicana, a Viasat utiliza seu próprio satélite, o Viasat-2, que ela afirma ter "capacidade flexível", mas mais robusta que o SGDC. Já nos Estados Unidos, a operadora oferece pacotes com franquia ilimitada – justamente por poder contar com capacidade mais robusta.

Renegociações

Ainda em renegociação com a Telebras para atender à demanda do Tribunal de Contas da União, a Viasat mantém que chegará a um modelo que não apenas agrade as partes, mas que se mantenha economicamente interessante para a operadora satelital norte-americana. "Se o TCU nos levasse a ter algo que não fosse viável, a negociação não aconteceria. Não faz sentido ter um acordo sem ser viável", declara Lisa Scalpone. Ela afirma que as conversas com a estatal estão ocorrendo com "bom progresso" e ressalta que continua cumprindo os compromissos do Gesac.

Em relação aos recentes comentários do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, em apoio à negociação da Viasat com a Telebras, Scalpone se diz satisfeita. "De acordo com o primeiro comentário do novo governo, estamos alinhados", declarou. Mas, com as idas e vindas do caso, preferiu não arriscar palpites para o futuro. "Não prevemos como o mercado vai mudar, apenas contamos que a demanda por conectividade é ajustável", afirmou.

Trocas

Assim como a executiva, seu colega de Viasat e associate general counsel na empresa, Colin Ward, ressalta que há um compartilhamento de conhecimento com a Telebras. A estatal brasileira ganha experiência na montagem dos serviços e em outros elementos operacionais, como a medição de uso. "E tem elementos reais de troca também – estamos aprendendo muito com a Telebras", afirma.

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