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Análise Internacional
A Argentina rumo à convergência
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018 , 21h51 | POR MIGUEL SMIRNOFF*

A aprovação pela ENACOM (Agência Nacional de Comunicações da Argentina) da fusão da Telecom Argentina com operadora de cabo Cablevisión e seu braço de Internet, a Fibertel, e ao mesmo tempo a autorização à Telefónica de Argentina e à Claro Argentina para fornecer TV paga linear em certas cidades do país, mudou a paisagem de TV por assinatura na Argentina.

Os teles já vinham oferecendo serviços de SVOD, agora estão autorizados a fornecer televisão a cabo, mas ainda não poderão fazê-lo pela DTH, seu pedido original. Até que este aspecto seja alterado, o que está em discussão, a TV por satélite linear permanecerá propriedade exclusiva da DirecTV, de propriedade da AT&T.

As decisões levaram a vários protestos: por um lado, seus concorrentes acusam o Grupo Clarín, sócio controlador da Cablevisión-Fibertel e agora da Telecom Argentina, de ter alcançado uma posição dominante no mercado de quadruple play. Na Telecom Argentina, a presença do empresário mexicano David Martínez, diretor do Fintech Advisory, com sede em Delaware, Estados Unidos, e comprador da participação da Telecom Italia na Telecom Argentina em 2013, também é um dado importante. Além disso, até a fusão, Martínez era um parceiro da Cablevisión com 40% do MSO.

Operadores de cabo independentes – estima-se que existam 700 em diferentes cidades pequenas e médias da Argentina – pediram para adiar a entrada, e e também têm sido um fator limitante na definição de áreas de serviço para teles. Mas, essas áreas serão expandidas ao longo do tempo para cobrir todo o território argentino.

Por outro lado, as teles questionam não poderem oferecer Tv paga via satélite, de modo que seu escopo de atuação – limitado por enquanto a algumas cidades – não ultrapassaria a infra-estrutura existente (cabo de fibra óptica). A Claro não oferece telefonia fixa, mas desenvolveu redes de fibra óptica, a mesma coisa que a Telefónica, em algumas cidades ou parte delas. A vantagem da Telecom Argentina é que agora terá acesso à extensa rede de fibra óptica da Cablevisión-Fibertel, mas o governo a forçará a compartilhar o uso com seus concorrentes.

A estratégia do governo é complementada por outra proposta: dar à Arsat um papel relevante. A empresa estatal opera o satélite nacional e uma extensa rede de fibra óptica construída durante a presidência de Cristina Kirchner, mas apenas parcialmente operacional no final de seu mandato. A Arsat fornecerá a infraestrutura para um MVNO (Operador de Rede Virtual Móvel) configurado por cooperativas telefônicas e operadores de cabo de tamanho médio, como o Supercanal e a Telecentro.

Com 9,6 milhões de assinantes e penetração na ordem de 85% das famílias com televisão paga, as perspectivas de TV paga linear não deverão mudar muito na Argentina a partir da entrada da Telefónica e da Claro no negócio. Vários analistas locais se concentram melhor no impulso que isso dará à colocação de redes de fibra óptica para impulsionar o crescente negócio de banda larga. (* – Miguel Smirnoff é fundador e diretor geral da Editorial Prensario, que edita diversos títulos para os mercados de TV por assinatura, telecom e TI na Argentina)

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