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TV por assinatura
Para Globosat, transição digital pode ser em acordo com operadores, mas vai acontecer
sexta-feira, 09 de novembro de 2018 , 20h49

As declarações do presidente do grupo Claro Brasil, José Félix, questionando o modelo de TV por assinatura no Brasil e a relação com programadores, geraram reações no mercado. Félix questionou, por exemplo, o fato de canais como Fox e Premiére fazerem vendas diretas pela Internet. Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat, maior programadora nacional, e controladora do Premiére, contesta este ponto. "O modelo de assinatura do Premiére não pode ser um problema. A gente foi o último programador a entrar na venda direta ao consumidor. Esporte Interativo, Fox, HBO, todas entraram muito antes", diz. Ele lembra que a própria Claro foi a primeira empresa tradicional de TV paga a ir para a Internet com o Claro Vídeo. "A nossa transição para o digital nós fizemos, e estamos fazendo, com um respeito enorme ao modelo dos operadores. Não temos nenhuma ilusão sobre a importância que as operadoras têm para nós. Não queremos destruir o negócio delas nem fazer nada predatório, e oferecemos o Premiére diretamente ao consumidor de Internet pelo mesmo preço direto que a operadora cobra".

Em relação ao questionamento feito por Félix de que a Lei do SeAC exigiria, para a transmissão de conteúdos ao vivo ou lineares, o enquadramento no serviço tradicional, Pecegueiro entende que a Internet está excluída da lei. "As teles nunca quiseram que a Internet fosse incluída no SeAC", diz Pecegueiro, lembrando que hoje os serviços que trafegam sobre a Internet são considerados Serviços de Valor Adicionado, por mais similares que sejam aos serviços tradicionais de telecomunicações. Pecegueiro comenta ainda outra afirmação de Félix: a de que Netflix e Amazon seriam apenas plataformas on-demand, e por isso estariam legais do ponto de vista jurídico. "Amazon, Hulu e Youtube já operam no modelo de pacotes nos EUA, uma hora isso chega aqui", diz ele, ressaltando que esse pode ser um modelo que a própria Net poderá acabar seguindo. "Essas discussões são pontuais, em um momento em que estamos avançando na estratégia digital, e eles também. A gente tem feito todos os esforços para uma estratégia concertada com eles e estamos assinando com outras operadoras".

Pecegueiro reconhece que a indústria ainda perderá base, e que isso afeta todos os programadores, mas não entende ser o preço de programação a causa da baixa rentabilidade de alguns assinantes. "Dos dois milhões de assinantes que a indústria perdeu nos últimos anos, 82% vieram da base de assinantes de DTH da Claro, que tinham, aparentemente, um problema específico". Na entrevista a este noticiário, Félix afirmou que o grupo promoverá um limpeza ainda mais acentuada de base, por considerar que muitos dos assinantes não são rentáveis.

"Acho que a Claro reconhece como é importante o negócio de vídeo", comemora Pecegueiro. Mas ele lembra que a equação do mercado de TV paga mudou "porque os programadores podem começar a vender direto ao assinante", assim como os operadores podem desenvolver produtos digitais, diz. "O meu pacote básico vendido diretamente pela Internet no digital será matador. Posso vender de maneira concertada com a operadora, e posso ir direto. É inevitável, esse bonde já partiu", disse o diretor geral da Globosat.

Ele ressalta também que para os programadores é essencial ter o controle e a relação direta com o assinante, algo que não existia no modelo tradicional. "A gente não abre mão disso, o que não quer dizer que a gente não vá compartilhar as informações com as operadoras que forem nossas parceiras".

Para o executivo, o fato de as operadoras também estarem incluindo o Netflix em seus pacotes não é um problema para a Globosat. "O Netflix paga em média 10% de comissionamento. Se for isso, para nós é excelente, porque será o nosso parâmetro de negociação dos nossos conteúdos no digital também". A Vivo já fechou com o Netflix e a Claro, segundo declarações do CEO da América Móvil, Daniel Hajj, está em processo de fazê-lo.

Por fim, Pecegueiro comenta a questão da necessidade de quebra do empacotamento colocada por José Félix. "Não sei no caso das outras programadoras, mas no nosso caso posso dizer que muitos canais relevantes entraram nos pacotes básicos inclusive sem custo e muitos canais que a gente gostaria de distribuir não estão entrando (nos pacotes básicos). Não acho que seja isso que esteja dificultando a formatação de custos do produto".

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