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Costa apoiaria golden share para eventual tele "pós-fusão"
segunda-feira, 09 de abril de 2007 , 20h14 | POR SAMUEL POSSEBON

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, diz ser pessoalmente favorável à idéia de uma golden share na mão do governo para uma eventual empresa que combine Brasil Telecom e Telemar. "Sou totalmente favorável à golden share, mas há quem diga que sou nacionalista demais", diz Costa. Ele explica que ainda não existe uma posição do governo sobre a discussão, colocada em pauta em reportagens de imprensa nos últimos dias. "O governo não tem nenhuma posição ainda e eu não fui procurado por nenhuma das empresas", diz Costa. Ele diz que terá nesta terça, 10, uma reunião pela manhã com a ministra Dilma Roussef em que deverá tratar do assunto, assim como uma reunião com o presidente Lula à tarde, onde colocará o tema para apreciação. "Eu tenho a preocupação de preservar uma empresa nacional, sem prejuízo dos investimentos estrangeiros realizados. Mas acho que qualquer atitude do governo deve partir de como o Congresso está se posicionando sobre o tema, porque é ali o reflexo da sociedade".
Hélio Costa não quis atrelar uma eventual mudança nas regras atuais para permitir a fusão entre Brasil Telecom e Telemar a uma discussão mais ampla de reforma da Lei Geral de Telecomunicações. "As duas iniciativas são importantes e é importante saber o que o Congresso pensa sobre esse tema. De qualquer maneira, o governo pode tomar uma iniciativa antes, porque precisa apenas de uma mudança em um decreto (o Plano Geral de Outorgas) para que a fusão seja liberada". Costa também se mostrou preocupado com a questão concorrencial: "Esse é sempre um desafio, porque podemos resolver um problema e criar outro. Isso não acontece no mundo das celulares porque há várias empresas competindo na mesma área".

Interesses internos divergentes na Telemar?

As declarações do ministro Hélio Costa vêem no contexto de um final de semana em que diversas reportagens tratando da possibilidade de fusão entre Brasil Telecom e Telemar apareceram, sempre com ênfase na suposta existência de estudos internos das operadoras sobre essa possibilidade. A Telemar, inclusive, depois de um dia de forte valorização de seus papéis na bolsa (assim como da Brasil Telecom) se apressou em divulgar, ao final do dia (e não de manhã, como poderia se esperar) um desmentido de que tenha estudos nesse sentido.
O que este noticiário apurou é que sempre existe, entre os acionistas das Telemar e da Brasil Telecom, a possibilidade de fusão sendo colocada na mesa. Mas um estudo interno de um dos acionistas da Telemar a que este noticiário teve acesso mostra que outra preocupação de parte do bloco controlador da tele não é com a fusão em si, mas a posição de alguns desses acionistas frente às investidas externas. O que está acontecendo na Telemar, basicamente, é que existem alguns acionistas querendo vender suas posições e outros que não vêem essa necessidade imediata. E existe um movimento forte de fundos de private equity interessados em adquirir o controle da empresa, comprando as ações em mercado, consideradas hoje baratas pelos analistas, e ações dos acionistas vendedores. Entre os que se movimentam externamente nesse sentido existem até alguns velhos conhecidos, como o grupo Opportunity, que tem ações na Telemar (ainda que esteja afastado do controle) e estaria no mercado trabalhando a vinda de um investidor (como a tele Orascom e outros fundos estrangeiros). Para o Opportunity, interessa intermediar qualquer acordo nesse sentido, até para que ele possa vender ou trocar suas ações em outras teles. Como Opportunity e GP (um dos sócios controladores da Telemar) sempre tiveram uma relação próxima, há quem aposte que algum movimento de tomada do controle da Telemar venha desta frente. Fundos de pensão e Citibank, que também são acionistas da Telemar (e também estão afastados do controle) também já manifestaram a intenção de vender suas ações.

Tomada hostil

Para evitar esse movimento, outros acionistas da Telemar estão buscando formas de fortalecer a posição do atual bloco de controle no longo prazo, evitando assim uma "tomada hostil". Com esse fortalecimento, os acionistas que se interessassem poderiam sair via mercado no futuro, e no processo, a própria Telemar estaria mais fortalecida para uma eventual compra ou fusão com a Brasil Telecom.
Para fortalecer a companhia, estuda-se uma operação financeira de consolidação das empresas (e respectivas ações) a partir da Telemar Participações S/A (onde estão os atuais controladores, como BNDES, fundos, GP, La Fonte, Andrade Gutierrez etc) envolvendo papéis da holding Tele Norte Leste Participações S/A (TNL) e da operadora Telemar Norte Leste S/A (TMAR). A operação em estudo envolveria a aquisição das ações preferenciais de TMAR e migração das ordinárias para a Telemar Participações S/A. Mas é ainda um estudo (encomendado à consultoria Rothschild), cujo propósito seria fortalecer o atual bloco de controle, evitando a tomada hostil por conta da entrada de um acionista externo via desagregação do bloco de controle atual. Mas certamente outros acionistas da Telemar, com outros interesses, buscam outras alternativas.

Poder de veto

Vale lembrar que a Telemar tem como principal acionista individual o BNDES, e que os fundos de pensão, apesar de afastados do controle da Telemar por serem controladores da Brasil Telecom, também têm expressiva posição em ações da tele. É curioso notar que hoje o BNDES já tem um poderoso acordo de acionistas, que dá a ele inclusive o poder de veto sobre qualquer operação dos demais acionistas que possa prejudicar a empresa. Esse poder de veto nunca foi utilizado, nem o governo ou o próprio BNDES disseram o que pensam a respeito do futuro da companhia. O acordo de acionistas do BNDES foi conseguido em um momento de urgência, em que os demais sócios precisavam de recursos para pagar a dívida adquirida no leilão de privatização e o banco estatal entrou financiando a operação. Está lá até hoje.

Negando rumores

Nesta segunda, 9, tanto Brasil Telecom quanto Telemar negaram haver entendimentos sobre qualquer operação de fusão, compra ou venda. A Brasil Telecom disse ser essa a posição inclusive dos acionistas controladores.

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