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NCTA Cable 2007
Nos EUA, integração de conteúdos digitais é desafio
segunda-feira, 07 de maio de 2007 , 14h26 | POR SAMUEL POSSEBON, DE LAS VEGAS

Há dez anos, quando os brasileiros assistiam aos debates da maior convenção norte-americana da indústria de TV a cabo, o comentário que imediatamente vinha à cabeça era: ?felizmente o Brasil está no estado da arte, enquanto nos EUA as redes são obsoletas e precisam ser inteiramente recontruídas?. Isso foi há uma década. Este ano, na NCTA Cable 2007, que acontece esta semana em Las Vegas, o que nossa reportagem percebe é que as discussões hoje nos EUA só farão sentido no Brasil daqui a outros dez anos. A boa notícia para nós é que agora é possível aprender com os erros dos americanos.
Pelo menos é isso que fica das sessões de pré-abertura da Cable 2007, em que se discutiu a implementação, nos EUA, do OCAP (OpenCable Application Platform), uma espécie de middleware para sistemas digitais desenvolvido pelo fórum OpenCable que pretende padronizar os sistemas e o conteúdo tipicamente digital, sobretudo as aplicações interativas.
O problema dos norte-americanos é que metade dos 65 milhões de assinantes de serviços de TV a cabo já estão utilizando serviços digitais, mas existe uma infinidade de tecnologias e padrões utilizados em cada uma das operações. Cada operadora que se digitalizou ao longo dos últimos dez anos utilizou uma tecnologia, uma plataforma e um middleware de fornecedores diferentes, muitas vezes proprietários.
Isso torna a vida dos operadores e programadores muito mais complicada no que diz respeito ao desenvolvimento de conteúdos interativos ou avançados (que utilizam o potencial das redes digitais). Para entender, basta um exercício simples: imagine uma aplicação de votação pelo controle remoto, por exemplo, que precisa ser reprogramada para cada operadora, porque os padrões não são os mesmos e cada uma trabalha com uma configuração de set-top, uma configuração de headend e um tipo de rede.
Tudo indica que existe uma disposição da indústria para resolver o problema nos EUA. Os CTOs das três maiores operadoras se comprometeram, publicamente, a implementar o OCAP a partir do meio de 2007 ?A migração é complicada por conta do imenso legado de plataformas diferentes que temos hoje?, disse Chris Bowick, da Cox. ?Muitos dos sistemas proprietários de hoje ainda não estão prontos para uma plataforma como o OCAP?, disse Mike Hayashi, CTO da Time Warner. James Mumma, diretor de desenvolvimento de aplicações de vídeo da Comcast, vai na mesma direção e garante que levará adiante a implementação do OCAP.

Brasil

No Brasil, o processo de digitalização das operações de cabo e MMDS começou há pouco tempo, e o número de assinantes digitais nestas plataformas é pequeno. A maior parte dos assinantes de plataformas digitais está no DTH (cerca de 1,3 milhão de assinantes), que usa padrões diferentes dos padrões das redes de cabo e MMDS.
Existe, de qualquer maneira, uma maior uniformização das tecnologias no Brasil (Net e TVA, as duas maiores operadoras que já iniciaram a sua digitalização, trabalham com plataforma DVB), mas muitos aspectos, como o middleware, são bastante diversos. E, o que é mais grave, não existe absolutamente nenhuma discussão integrada entre a indústria de TV paga e o Fórum do ISDTV, o padrão de TV digital aberta. O que significa que qualquer aplicação digital que seja feita para a TV aberta terá que ser totalmente refeita para funcionar nas redes de TV paga.

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