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Faixa de 3,5 GHz tem saída no Brasil
quarta-feira, 06 de setembro de 2017 , 20h11

Além da faixa de 28 GHz, outra disputa entre o setor satelital e o de operadoras móveis está na frequência de 3,5 GHz – especialmente no caso do Brasil, onde há problema de interferência com aplicações em banda C para estações TVRO (recepção de sinais de TV). A Anatel tentou leiloar sobras na faixa em 2015, mas decidiu retirá-la. A diretora de espectro futuro da Associação Global de Operadoras Móveis (GSMA), Luciana Camargos, acredita que o caso brasileiro tem saída, apesar de ser especialmente delicado por não haver registro oficial e identificação das estações, o que torna trabalho de mitigação mais difícil.

O 3,5 GHz é um dos candidatos mais fortes para a 5G, ou IMT-2020. Por conta disso, ela questiona a forma com a qual a faixa está sendo utilizada. "É importante ressaltar que as operadoras satelitais não têm destinação abaixo de 3,6 GHz, mas o equipamento impede que a faixa abaixo seja utilizada", declara. Segundo Camargos, a ocupação satelital vai de 3,4 GHz a 4,2 GHz. "O quão justo é isso? Pode-se ocupar desta forma?" Ela considera isso um "desperdício enorme" e lembra que espectro é um bem escasso e, por isso, precisa ser utilizado de maneira eficiente.

A avaliação da diretora da GSMA é que a Anatel está avançando nos estudos (que deveriam ser concluídos no ano passado) para identificar canais adjacentes e filtros para as TVRO. Ela explica que a associação foi chamada há duas semanas para uma reunião com a agência para tratar do assunto, e afirma que o regulador está encontrando uma solução. "Essa é uma coisa bem particular do Brasil. É um serviço que nem é regulado, teoricamente nem deveria existir em termos de radiocomunicações", declara.

No entendimento da representante da associação, como a faixa de 3,5 GHz estaria destinada a serviços móveis em grandes centros, então não deveria haver conflito com o uso de recepção em antenas parabólicas. E na periferia dessas grandes cidades, argumenta, deveria haver a recepção de TV digital. "Temos que entender de onde vem essa demanda, onde estão as pessoas que assistem (com a TVRO), e por quais sistemas."

Uma vez identificado os aspectos técnicos, uma saída seria utilizar o conceito de "tunning range", que permite diferentes canalizações com a mesma faixa na hora de harmonizar equipamentos. De acordo com Luciana Camargos, regiões e subregiões acabam atribuindo o 3,5 GHz em diferentes configurações: na Europa é de 3,4 GHz a 3,8 GHz; na África, de 3,3 GHz a 3,6 Ghz. Nos Estados Unidos é de 3,5 GHz a 3,7 GHz, enquanto no Brasil, é de 3,4 GHz a 3,6 GHz.

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