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INFRAESTRUTURA
Em parceria com Intel, TIM investe em virtualização de redes
segunda-feira, 06 de junho de 2016 , 16h40

Após transformações internas recentes, o foco da TIM em infraestrutura para suportar o aumento da receita de dados começa a ganhar corpo: a operadora deu início ao projeto de virtualização de sua rede. O objetivo é claro: ganhar escalabilidade, reduzindo o tempo de lançamento (time to market) de novos produtos, incluindo serviços de cidade inteligente, como segurança e educação, até novas tecnologias como voz sobre LTE (VoLTE) e, futuramente, 5G. Para tanto, a tele assinou recentemente um memorando de entendimento (MoU) para contrato de duração de dois anos com a Intel, que contribuirá com a implantação do projeto com assessoria estratégica, suporte tecnológico e capacitação e treinamento.

Na verdade, trata-se de uma extensão de parceria com a fabricante de processadores. Segundo explica a este noticiário o diretor de engenharia da TIM, Marco Di Costanzo, o acordo de cooperação tecnológica utilizará a experiência da Intel para assessoramento na definição do ecossistema para a criação de novos modelos operacionais e de negócios para a infraestrutura virtualizada, além da implantação de melhores práticas. "Temos de encontrar forma para moldar nossa infraestrutura para que o custo de Capex e de Opex seja reduzido de forma importante", justifica. Ele ressalta que não se trata da única resposta para a melhoria operacional, mas que é importante para esse fim. "Estamos em fase de começo de percurso que acredito ser amplamente claro e irreversível. Não temos estimativa de redução, todas deverão ser comprovadas com fatos, mas esperamos eficiência de pelo menos 30% ou 40%."

A virtualização inclui o core da rede e usará as tecnologias de virtualização de funções de rede (NFV) e de rede definida por software (SDN). Di Costanzo confirma que, com isso, a infraestrutura da empresa ganha agilidade: não é necessário instalar equipamentos e ativos físicos no backend para entregar novos produtos – ele cita automóveis conectados, máquina-a-máquina (M2M) e "qualquer tipo de serviço digital". "Estamos chegando ao core de rede e já temos um core IMS com serviço de VoLTE e IMS (sistema de controle), que são serviços que rodam em cima, ambos virtualizados", declara. Quando perguntado se isso significa que a TIM já poderia lançar uma solução de voz em alta definição sobre LTE, o diretor da empresa confirma, mas não dá prazo. "Vai ser cedo", despista.

O acordo com a Intel não é exclusivo, embora a operadora a considere como uma importante parceira no projeto. Di Costanzo ressalta que a iniciativa é baseada em um "conceito lógico de colaboração" irreversível. "Não enxergo futuro sem a virtualização", determina.

Intel

Apesar de ser mais conhecida pelo fornecimento de componentes computacionais, a Intel também atua com virtualização com bancos, governo, varejo e mesmo telecomunicações. "Esse MoU com a TIM vai na direção de trazer as melhores práticas, trabalhar junto com eles mostrando benefícios e ajudando a implantar a rede deles", disse a este noticiário o porta-voz da fornecedora, Fábio de Paula. Ele confirma que a implantação da rede virtualizada tem um potencial de impacto importante. "Algo que você levava 90 dias para colocar no ar, no virtualizado você faz em cinco vezes menos tempo. O que levava meses para montar em infraestrutura, para colocar servidor, faz agora em semanas. E depois, com cloud e provisionamento de software, você faz em dois dias. Isso já é realidade em TI e agora está indo para telecom."

O contrato de dois anos, explica o porta-voz, visa delimitar o escopo de trabalho para dar melhor visibilidade no projeto. A colaboração tecnológica prevê o mapeamento conjunto de NFV e SDN. A Intel conta com acordo semelhante com a América Móvil no México, e Fábio de Paula diz que a companhia está fazendo "trabalho com várias empresas em paralelo". "No ambiente de telecom hoje, eu diria que NFV e SDN são grandes tecnologias que conseguem acelerar bastante e tem muitos benefícios nessa questão (de transformação digital das empresas)", finaliza.

Estratégia

A proposta está em linha com a estratégia de evolução da rede da TIM e de otimização financeira. O plano de eficiência de custos para o triênio 2015-2017 de valor total de R$ 1 bilhão está atualmente em 40%, com expectativa de economias de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões no primeiro trimestre. Ainda assim, a empresa investe na ampliação de sites conectados com fibra: no último trimestre, a companhia apresentou 4,8 mil sites, 26% a mais do que o começo de 2015.  Do total de sites, 8 mil são 4G e 12,5 mil são 3G. O projeto de HetNet instalou 234 novos sites (entre small cells e Wi-Fi) no período, totalizando 3,1 mil no País.

O plano plurianual da companhia entre 2016 e 2018 prevê investimentos de R$ 14 bilhões. Somente no primeiro trimestre, a empresa totalizou R$ 710 milhões (18,4% da receita) no Capex, sendo 88% destinado à infraestrutura.

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