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Simplicidade: o segredo da rede IoT da WND
quarta-feira, 04 de outubro de 2017 , 22h42

Simplicidade e agilidade. Com essa fórmula foi possível à WND, uma operadora de telecom especializada em Internet das Coisas, desenvolver uma rede que já cobre 80 milhões de pessoas em 100 cidades, e deve chegar a 85% do PIB, ou 100 milhões de pessoas, até o ano que vem. A rede é simples: uma infraestrutura de antenas omnidirecionais e estações radiobase de pequeno porte que podem ser ativadas em questão de horas, ocupam pouquíssimo espaço, não precisam de um complexo processo de licenciamento de estações e custo uma pequena fração dos equipamentos das redes das grandes operadoras. A tecnologia é proprietária e exclusiva no Brasil, da Sigfox, que também é acionista da WND.

Para Francisco Cavalcanti, CEO da operadora, o modelo de negócios da WND e de outras operadoras de IoT que atuam neste nicho só faz sentido com essa flexibilidade. A frequência é não-licenciada, na faixa de 902 MHz. A faixa ocupada pelos serviços da empresa é de 200 kHz,e os canais são de ínfimos 600 Hz. Tudo isso para permitir um sistema com uma cobertura ampla, baixíssimo consumo de bateria (os terminais duram por mais de uma década), e o modelo de negócio possa ser baseado não no volume de dados, mas no volume de comunicações entre os terminais e a rede. Para se ter uma ideia, no modelo da WND o custo é de US$ 1 por terminal, por ano, no pacote mais simples com o menor volume de conexões diárias. No pacote com mais conexões, esse valor passa a US$ 1 por mês. Nas redes GPRS oferecidas pelas teles para o mercado IoT, o custo é de pelo menos US$ 2 por mês por terminal. Outra vantagem da rede da WND é que, por operar em uma faixa não-licenciada, não há pagamento de Fistel.

A tecnologia da Sigfox tem, obviamente, algumas desvantagens: a principal delas é a taxa de dados, muito baixa para algumas aplicações (como pontos de cartão de crédito, por exemplo) e a falta de comunicação em tempo real, já que os dispositivos se conectam à rede em intervalos previamente programado. Mas é uma solução sob medida para redes de IoT para aplicações rurais, monitoramento e rastreamento.

Hoje, o grande desafio da WND não é a expansão de rede, explica Cavalcanti, mas sim mostrar para o mercado o potencial da tecnologia e o desenvolvimento do ecossistema de parceiros, que desenharão a solução. A Sigfox não cobra royalties sobre o uso do chip pelas aplicações, o que torna os equipamentos com a tecnologia embarcada mais baratos do que as soluções Nb-IoT que começarão a chegar no mercado a partir do ano que vem. "Não vejo problema nessa concorrência, até porque sei que o Nb-IoT terá outras aplicações, que demandem maior capacidade de dados, e também será mais cara, pelo uso da rede LTE existente", diz . Cavalcanti explica que a empresa tem o seu planejamento de rede, mas ele pode ser facilmente ajustado em função das demandas de algum novo cliente. A operadora consegue instalar facilmente uma nova antena, porque a estrutura física é leve e pequena, podendo ser colocada em telhados residenciais. "Muitas vezes, batemos na porta de um imóvel que parece mais adequado, explicamos o projeto para o proprietário e, se ele concordar, fazemos os testes e instalamos a antena, em troca de algum benefício, como uma assinatura de TV paga ou banda larga", diz o executivo. O backhaul da antena, aliás, pode ser feita pela banda larga fixa normal ou mesmo por meio da rede celular.

A Sigfox tem um investidor importante, a Telefônica, que já começa a usar a tecnologia da empresa em alguns países e em breve deve utilizar a rede da WND no Brasil. O fato de boa parte das operadoras já ter se decidido por usar a rede Nb-IoT em cima da rede LTE para viabilizar aplicações IoT é, de certa forma, uma vantagem para a WND, pois a rede Sigfox acaba se tornando complementar, sobretudo em regiões em que a rede 4G não chega. "Nosso objetivo é conectar o que não foi conectado, de uma coleira de cachorro a um sensor utilizado em uma planta", diz o CEO da empresa.

A Sigfox também é a responsável por gerenciar todo o conjunto de informações recebidas pelas redes licenciadas com a sua tecnologia e deixá-las disponíveis para os clientes por meio de APIs, de modo que os dados já podem chegar formatados e prontos da maneira que o usuário da aplicação desejar.

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