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Netflix terá 24% da TV paga no Brasil em 2018, mas só 5% da receita, sugere consultoria
quarta-feira, 01 de agosto de 2018 , 01h53

Segundo dados inéditos apresentados pela consultoria Ampere Analysis no PAYTV Forum 2018, evento organizado pela TELETIME e pela TELA VIVA e que aconteceu esta semana em São Paulo, a base de usuários de plataformas de SVOD (subscription video-on-demand, que no Brasil é amplamente dominado pela Netflix) cresceu três novos assinantes para cada assinante perdido em 2017. Segundo Guy Bisso, analista e diretor da empresa de análise do mercado de TV paga, a forte queda de base registrada na América Latina  tem forte relação com a crise econômica, sobretudo em mercados como Brasil, México e Argentina, mas este movimento aconteceu em paralelo ao crescimento de um novo modelo de distribuição de TV.  Dados da consultoria apontam que no final de 2017 o Netflix tinha cerca de 8,5 milhões de usuários no Brasil (o que coloca a plataforma do mesmo tamanho da Net Serviços, maior operadora de cabo do país) e no final de 2018 a estimativa é de 10 milhões de usuários. Seriam, em termos de contratos (accounts), 24% do mercado de TV por assinatura. A discrepância entre os dados absolutos e relativos está no fato de que os usuários de cada conta do Netflix superam o número de assinaturas, pelo compartilhamento de senhas. No entanto, diz Bisson, o Netflix capturaria nesse momento apenas 5% do total de receitas do mercado.

Outro dado identifica que, no país, 8% das casas usam o VOD como principal forma de assistir televisão. Nos Estados Unidos, este número é aproximadamente 13%, enquanto os maiores mercados são Austrália (17%) e México (16%) – o crescimento mexicano, inclusive, começou ao lado do Brasil. Ambos os países foram deixando de assinar a TV paga ao mesmo tempo, enquanto passaram a aderir simultaneamente ao VOD. "O Brasil, a Argentina e o México tiveram declínios parecidos em seus mercados de TV por assinatura, evidenciando uma correlação com suas situações econômicas", justificou o diretor, descartando de imediato o fenômeno do cord cutting (em que as pessoas substituem a TV paga por um serviço OTT). Trata-se, ainda, de um processo similar ao que aconteceu há alguns anos nos EUA.

Um dado que ajuda a entender o sucesso da Netflix no país elenca as prioridades dos usuários de VOD na hora de escolher o serviço pelo qual irão pagar. São elas: oferta de séries; melhores títulos de filmes; e período de contrato exigido. "Hoje em dia, séries são mais importantes para o consumidor brasileiro do que filmes e esportes", apontou Guy Bisson, mostrando que, desde o surgimento do VOD no Brasil, já houve uma mudança de preferência do usuário, uma vez que esse mercado, no início, era mais voltado a filmes e esportes. Mesmo nas casas que não possuem VOD, mas sim a TV paga convencional, o critério de seleção de pacote mais determinante também é o seriado, seguido pelos modelos de serviço e melhores títulos de filmes, segundo o levantamento da consultoria.

Segundo Bisson, uma questão a ser observada pelo mercado de SVOD é o "empilhamento", isto é, o fato de um usuário assinar diversos serviços diferentes e, assim, reduzir o tempo de visualização gasto em cada um deles. "A tendência acarreta implicações para o posicionamento competitivo e investimento em conteúdo, e está criando uma dinâmica para o SVOD muito parecida com a enfrentada anteriormente pelos tradicionais lineares", sinalizou o diretor, que lembrou ainda que, no Brasil, a disparidade entre os custos da TV paga tradicional  e do SVOD é muito grande, o que ainda possibilita que o consumidor assine diversas opções de SVOD contra nenhuma de televisão tradicional.

A tendência citada por Guy Bisson, do tal "empilhamento", foi vista pelos canais de TV por assinatura há cerca de 20 anos, quando o digital apareceu. E o que eles fizeram? "Diversificaram e expandiram seus portfólios para se concentrarem em diferentes sub-segmentos de espectadores", respondeu. "Estamos começando a ver exatamente essa dinâmica emergir no VOD. Não através do lançamento de novos canais ou marcas irmãs, mas sim da curadoria de catálogos e diversificação e tendências de especialização que estão criando ofertas e posicionamentos distintos mesmo entre as grandes empresas.", finalizou.

Saúde

Para Bisson, apesar de plataformas de SVOD estarem queimando caixa na adaptação de seus modelos de negócio para mais conteúdos exclusivos, Eles devem em algum momento iniciar um aumento de preços. No caso do Netflix, explica, isso já está acontecendo. "O Netflix é uma empresa de conteúdo gerida como uma empresa de Internet. Ou seja, estão queimando dinheiro para crescer a base e depois irão atrás do resultado". Segundo ele, considerando o déficit de cerca de US$ 2 bilhões que o Netflix teve em seu fluxo de caixa no ano passado, seria necessário um aumento de US$ 1,68, ou 18%, para que essa perda tivesse sido anulada, e este percentual está em uma curva declinante, o que mostra que se o serviço continuar crescendo a sua base de clientes e aos poucos aumentar os preços, como já está fazendo, em breve a queima de caixa não será mais um problema. Ele reconhece que o modelo do Netflix é concentrador, mas vê a chance de crescimento de players locais que se diferenciem pelo conteúdo.

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