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EAD incluirá perguntas sobre interatividade em novas pesquisas sobre TV digital
terça-feira, 01 de março de 2016 , 21h13

As próximas pesquisas realizadas pela EAD (Entidade Administradora da Digitalização) para municiar as decisões do Gired (Grupo de Implantação da TV Digital) deverão, pela primeira vez, incluir questões sobre o conhecimento sobre e o uso que os telespectadores fazem da TV digital. O foco é saber o que os usuários de baixa renda, que já receberam os decodificadores, estão fazendo com os recursos de interatividade embarcados na caixa.

Esta é considerada pelas empresas de telecomunicações e pelas emissoras comerciais uma questão chave a ser entendida, sobretudo para o início do processo de desligamento da TV analógica em Brasília. Ninguém fala abertamente, mas fica evidente que, para esses dois setores, a interatividade tem sido um estorvo, por aumentar o custo das caixas e adicionar uma variável complexa aos processos de decisão.

As aplicações interativas do governo já estão presentes nos modelos de caixas distribuídas, mas ainda não foram testadas com canal de retorno e tampouco houve um esforço de divulgação destes serviços por parte do governo. Muito provavelmente a pesquisa mostrará um grande desconhecimento em relação a essas aplicações.

Uma das questões ainda abertas é qual será o decodificador a ser distribuído aos beneficiários do Cadastro Único, pois essa especificação, agora, deverá ser a referência para o restante das cidades. Existe uma pressão de setores do governo, especialmente do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e da EBC (vinculada à Secretaria de Comunicação Social), em favor de soluções que adotem a interatividade nessas caixas, como aconteceu com o Bolsa Família. Mas quanto mais sofisticada a caixa, mais cara e complexa se torna a sua fabricação.

O problema se tornou mais complexo com a desvalorização cambial de 2015. A EAD precisa contratar a compra das caixas e ao mesmo tempo controlar o orçamento de R$ 3,6 bilhões da transição. Isso já faz com que as teles vejam a interatividade como um desafio adicional. Do ponto de vista das TVs comerciais, há o receio de que a interatividade embarcada nas caixas consuma recursos que deveriam ser investidos na mitigação das interferências e nas campanhas de divulgação, para não falar em uma pressão para que elas mesmas invistam em interatividade, o que não está sendo feito em grande escala por ninguém.

Divisão interna

Ainda não se sabe quanto e se as pessoas estão usando os recursos de interatividade existentes. Mas não se pode dizer que as caixas estão com capacidade ociosa. Hoje, nas caixas que estão sendo usadas para o Bolsa Família, a memória disponível permite um conjunto relativamente pequeno de aplicações. Dos 2 GB existentes na configuração aprovada, cerca de 400 MB são consumidos com o próprio Ginga, 500 MB precisam ficar reservados para as aplicações das emissoras comerciais e sobra 1 GB para aplicações do governo, dos quais 500 MB estão sendo usados pela versão atual do Brasil 4D (da EBC), 400 MB estão sendo usados pelo serviço de "VOD" da do Ministério da Cultura, o "Quero ver Cultura", e 50 MB pelo aplicativo do Bolsa Família.

Para administrar a integração de todos esses projetos e a divisão do pouco espaço disponível na caixa, a ideia do governo era criar um Comitê de T-Gov para coordenar as diferentes ações de interatividade sobre o Ginga. Existem iniciativas sendo conduzidas pela Cultura, pelo MDS, pela EBC, e projetos iniciais no Ministério da Educação e Saúde, sem falar que o projeto de repositório envolve um esforço do Ministério das Comunicações e da RNP (ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação).

COMENTÁRIOS

2 Comentários

  1. Fabiano Melo disse:

    A iniciativa do Governo em adotar políticas para que usuários originários de programas de incentivos sociais é louvável. Porém, sob a ótica tecnológica, essa parcela da população não pode ficar à margem dos avanços e das funcionalidades potencialmente embutidas nas caixas. Não pode-se inferir que, devido à uma suposta ociosidade das funcionalidades dos decoders, os usuários fiquem sem poder "experimentar" os recursos disponíveis. Com a evolução deve-se reformular as aplicações e que estas sejam mais enxutas, sem comprometer o armazenamento efetivo em prol do envolvimento do usuário com a interação. Ou ainda, aumentando o espaço destinado a tal fim.
    Não se pode querer que haja evolução do ponto de vista do usuário final, quando não lhe é dada a devida capacidade de usufruir e descobrir novas possibilidades dentro do universo de novas tecnologias. Seria querem matar a fome sem ter o que comer.

  2. Mauro L. Rodrigues disse:

    Acredito que o futuro da interatividade está na segunda tela, ou seja, no smartphone. Para acelerar a digitalização, os conversores terrestres devem serem simples e o governo deveria regulamentar os conversores digitais via satélite da Banda C, pois em apenas um refletor, capta-se 03 satélites.Desta forma atende-se a quase totalidade das emissoras regionais.

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